A Patrulha Ambiental (Patram) da Brigada Militar desbaratou um esquema ilegal de comercialização e reutilização de embalagens de agrotóxicos em Cruz Alta. A ação ocorreu após uma investigação minuciosa pela equipe conduzida pelo Comandante do Pelotão ambiental de Cruz Alta, o 1º Tenente Fernando Hochmuller, com apoio do policiamento de Salto do Jacuí. Dois caminhões carregados com galões usados foram apreendidos. Segundo o Tenente Hochmuller, denúncias antigas já apontavam que embalagens vazias de defensivos agrícolas estavam sendo compradas e revendidas de forma clandestina. A partir do monitoramento e do apoio da guarnição de Salto do Jacuí, a Patram realizou a abordagem de dois caminhões carregados com grande quantidade de galões de agrotóxicos. O material seria entregue a uma empresa recicladora de Espumoso que, ilegalmente, triturava as embalagens e revendia o plástico para outra empresa no município de Mormaço. Os responsáveis foram presos em flagrante.
Com a apreensão, os policiais identificaram o local de onde saíam as embalagens: um posto de recebimento de embalagens de agrotóxicos em Cruz Alta. O posto, licenciado pela Fepam, tinha a obrigação legal de recolher as embalagens entregues por agricultores e empresas e encaminhá-las ao Inpev (Instituto Nacional De Processamento De Embalagens Vazias), órgão responsável pelo destino ambientalmente correto do material. Entretanto, um funcionário do posto vendia clandestinamente as cargas para a quadrilha. Conforme informações obtidas pelos policiais, o esquema funcionava há cerca de seis meses, período em que aproximadamente 18 cargas foram comercializadas ilegalmente.
O Tenente Hochmuller ressaltou que o caso é extremamente grave, pois as embalagens de agrotóxicos são altamente tóxicas e não podem, em hipótese alguma, ser recicladas para uso comum. “Estamos falando de um material que oferece risco direto à saúde humana e ao meio ambiente. A legislação determina que essas embalagens retornem ao fabricante para destinação adequada”, afirmou. Ainda não há informações sobre o tipo de produto final gerado a partir da reciclagem ilegal.
Os galões apreendidos serão encaminhados para a destinação correta, sob fiscalização da Patram. A empresa responsável pelo posto de recebimento, apesar de não ter participado diretamente do esquema, também foi autuada por descumprir exigências da licença ambiental. Os envolvidos responderão criminalmente. A pena prevista para crimes envolvendo o manejo e destinação irregular de embalagens de agrotóxicos varia de dois a quatro anos de reclusão.
Segundo a Patram, a investigação continua. Há indícios de outras pessoas e empresas envolvidas na rede ilegal de compra, transporte e revenda das embalagens. “Nosso trabalho apenas começou. Outras pontas ainda serão verificadas para que todos os responsáveis sejam identificados e responsabilizados”, afirmou o tenente. A ação reforça o papel da Patrulha Ambiental na proteção da saúde pública e do meio ambiente, mesmo atuando com equipe reduzida, mas de grande comprometimento. (PATRAM/ BM-RS).
