Cevs celebra trajetória marcada por avanços e desafios.
Da vacina recebida no posto de saúde ao controle sanitário no comércio de alimentos, há por trás dessas ações o trabalho da vigilância em saúde. No Rio Grande do Sul, esse papel é coordenado pelo Centro Estadual de Vigilância em Saúde (Cevs), que, neste domingo (5/10), celebrou 20 anos de atuação em defesa da saúde pública.
Instituído formalmente em 2005 pelo Decreto 44.050, o Cevs nasceu com o propósito de integrar e coordenar as diversas áreas da vigilância em saúde sob um comando único. Desde então, tornou-se fundamental na estrutura do Sistema Único de Saúde (SUS), atuando de forma preventiva, protetiva e estratégica para evitar riscos e agravos à saúde.
A vigilância em saúde abrange o monitoramento e o controle de doenças e agravos, a fiscalização de produtos e serviços, a promoção da saúde do trabalhador, o acompanhamento de riscos ambientais e a gestão de emergências em saúde pública, além do diagnóstico laboratorial como suporte à saúde pública. Embora muitas vezes pouco visíveis e de forma silenciosa no cotidiano, essas atividades têm impacto direto para evitar surtos, epidemias e garantir ambientes seguros.
Entre os exemplos de atuação estão o controle de vetores (como o mosquito Aedes aegypti, transmissor da dengue), o monitoramento da qualidade da água para consumo humano, a fiscalização de estabelecimentos e produtos, além da coordenação de estratégias de vacinação. “Se vivemos em ambientes mais saudáveis e protegidos, é porque há um trabalho contínuo e comprometido por trás disso, um esforço técnico e silencioso que resguarda a saúde de cada cidadão e de toda a comunidade”, frisa Ranieri.
O Cevs tem como missão reunir e divulgar informações sobre riscos à saúde e, a partir disso, orientar medidas eficazes para proteger a população e melhorar sua qualidade de vida. É um trabalho técnico, contínuo e essencial para garantir ambientes mais seguros a todos.
Estrutura e áreas de atuação – Na sua criação, o Cevs reuniu as áreas de vigilâncias Sanitária, Ambiental, Epidemiológica e Saúde do Trabalhador. Em 2017, com a incorporação das atribuições antes pertencentes à Fundação Estadual de Produção e Pesquisa em Saúde (Fepps), o centro ampliou sua estrutura e passou a contar também com o Laboratório Central de Saúde Pública (Lacen), o Centro de Informação Toxicológicas (CIT) e o Centro de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CDCT). Com essa integração, fortaleceu sua capacidade de resposta em momentos de emergência e ampliou sua atuação em pesquisa, diagnóstico e monitoramento laboratorial.
Ao longo das últimas duas décadas, o Cevs esteve na linha de frente de grandes emergências em saúde pública. Teve papel central no enfrentamento à pandemia de covid-19 e às epidemias de dengue, coordenando vigilância, monitoramento de casos e ações laboratoriais. Atuou também em surtos de novas ameaças à saúde, como a gripe A-H1N1, a gripe aviária e a Mpox.
Em situações de emergência ambiental, como as enchentes de 2024, o Cevs coordenou medidas de prevenção e controle de doenças, especialmente aquelas transmitidas pela água e por vetores. Além disso, foram realizadas ações de controle sanitário e de proteção à saúde do trabalhador. Essas experiências reforçam o papel estratégico do órgão na pronta resposta às ameaças sanitárias, garantindo informação, coordenação técnica e medidas de proteção à população.
Nos últimos anos, o Cevs registrou avanços importantes em sua estrutura e em seus programas de trabalho. Em agosto de 2024, houve a inauguração da nova sede da Central Estadual de Armazenamento e Distribuição de Imunobiológicos (Ceadi), localizada no complexo do Cevs, no bairro Jardim Botânico, em Porto Alegre.
Com investimento de R$ 3,1 milhões, a nova estrutura representou um salto na capacidade de conservação de vacinas e soros, passando de 14 milhões para até 26 milhões de doses armazenadas.
Qualifica Vigilância RS – Outro avanço significativo foi o lançamento do Programa Qualifica Vigilância RS, em fevereiro de 2025. Pela primeira vez, a SES destinou recursos próprios diretamente às vigilâncias municipais, com um investimento total previsto de R$ 22 milhões.
O programa contempla todos os municípios gaúchos e tem como objetivo fortalecer ações locais de vigilância em saúde, por meio de repasses para custeio e investimento. As ações estão organizadas em seis eixos temáticos: sistemas de informação em saúde, arboviroses (como dengue), emergências em saúde pública, imunizações, qualidade da água para consumo humano e processos de trabalho e educação.
A primeira parcela, já repassada, foi fixa e proporcional ao porte populacional de cada município, totalizando R$ 10,9 milhões. A segunda parcela, prevista para dezembro, será variável e dependerá da execução das ações previstas, podendo alcançar o mesmo valor da primeira.
Com o Qualifica Vigilância RS, o Estado promove uma descentralização estratégica dos recursos, valorizando a atuação local e ampliando a capacidade de resposta dos municípios frente aos desafios da saúde pública. (fonte: Ascom SES/ Fotos: Alina Souza/Ascom SES).
